20 de setembro de 2007

Não partas



tem os teus carinhos o poder
de convulsionar as marés em mim
e quero, para sempre, ser barco
sonhando viagens nas cristas salgadas

tem o teu aroma nas minhas roupas
o sabor do mais delicioso bolo
que um dia adocicou meu aniversário
quando eu ainda jovem ou pouco mais

tem o teu abraço a alegria do olhar do
marujo que avista o farol dentre a
cerração corrigindo a rota da nau a tempo
evitando os espinhos das rochas negras

o teu beijo faz desaparecer a dor do corpo
que na tua ausência só faz aumentar as
próprias chagas - e eu preciso dele agora -
preciso tanto, portanto, não partas.

Antonio Miranda Fernandes

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